Sergio Moro descarta motivação política contra Lula e quer forças-tarefas como Lava Jato para combater crime organizado

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O juiz federal Sérgio Moro afirmou nesta terça-feira, 6, que assumir o superministério da Justiça “não é um projeto de poder, é um projeto de tentar fazer a coisa certa”. O magistrado da Operação Lava Jato aceitou assumir a Pasta no Governo Jair Bolsonaro.

“A ideia aqui não é um projeto de poder, mas sim um projeto de fazer a coisa certa num nível mais elevado, em uma posição que se possa realmente fazer a diferença e se afastar de vez a sombra desses retrocessos”, afirmou Moro, em entrevista que está concedendo na sede da Justiça Federal do Paraná.

“O objetivo é no governo federal realizar o que não foi feito, com todo respeito, nos últimos anos e buscar implantar uma forte agenda anticorrupção e aqui eu agregaria, porque é uma ameaça nacional, uma forte agenda também anticrime organizado”.

Foram mais de 60 jornalistas na coletiva organizada no auditório da Justiça Federal de cerca de 30 órgãos de comunicação, entre TVs, rádios, jornais, revistas e agências de notícias nacionais e internacionais. Moro respondeu a 20 perguntas divididas entre os inscritos, por ordem de chegada. Sob forte esquema de segurança da Polícia Federal (PF), com policiais caracterizados e à paisana, a coletiva durou uma hora.

Lula

Na abertura da entrevista, Moro fez uma longa explanação sobre os motivos que o levaram a dizer ‘sim’ ao convite de Bolsonaro. Ele citou o ex-presidente Lula e rechaçou suspeitas levantadas pelo PT de que teria agido para favorecer a candidatura Bolsonaro.

“Isso não tem nada a ver com o processo do sr.Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado e preso, porque ele cometeu um crime e não por causa das eleições”, afirmou.

O juiz declarou que embora tenha proferido a primeira decisão, essa decisão condenatória já foi confirmada pela Corte de Apelação, ou seja, por um painel de outros 3 juízes. Lula foi condenado por Moro a 9 anos e seis meses de prisão no caso triplex, por corrupção e lavagem de dinheiro, em julho do ano passado. Em janeiro deste ano, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) aumentou a pena do ex-presidente para 12 anos e um mês de prisão.

“Foi o próprio Tribunal que ordenou o início da execução e prisão do ex-presidente. Eu apenas cumpri a decisão. Diga-se que essa ordem de prisão foi previamente autorizada em um julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de um habeas corpus preventivo”, disse Moro. “O que houve aqui é uma pessoa que lamentavelmente cometeu um crime, esse crime foi investigado, provado e ela respondeu na Justiça por esse comportamento criminoso”.

O magistrado emendou. “Não posso pautar a minha vida com base numa fantasia, com álibi falso de perseguição política“.

O juiz afirmou ainda que “políticos de vários espectros” foram condenados na Lava Jato. O magistrado citou os casos do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB) e do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB).

Criação de forças-tarefas

O futuro superministro da Justiça disse que pretende criar forças-tarefas ao estilo da Lava Jato para combater o crime organizado em todo o País. O magistrado afirmou que pretende “avançar na pauta do enfrentamento não apenas à corrupção como ao crime organizado“.

Sobre a incorporação do COAF ao Ministério que vai dirigir, Moro disse que é preciso reestruturar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras. “Precisa reestruturar e fortalecer o COAF”, disse o juiz.

Ele avalia que o ministro Paulo Guedes, da Fazenda, “vai estar muito ocupado com questões de economia, revitalizada, não é o foco de preocupação dele essa temática (COAF)”. (Fonte: Estadão)