Bolsonaro critica aumento de 39% no gás pela Petrobras: ‘Não vou interferir. Mas podemos mudar essa política de preços lá’

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Em visita a Foz do Iguaçu (PR) na tarde desta quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro chamou de “inadmissível” o aumento de 39% no preço do gás às distribuidoras. Ele afirmou que não vai interferir na empresa, mas que “pode mudar essa política de preços”.

Após reajustar os preços da gasolina e do diesel neste ano, a estatal informou na última segunda-feira que, a partir e 1º de maio, os preços de venda de gás natural para as distribuidoras terão aumento de 39% por metro cúbico em relação ao último trimestre. Em dólar, a alta será de 32%.

— Uma empresa, mais do que transparência, tem que ter previsibilidade. É inadmissível se anunciar agora, o velho presidente ainda, um reajuste de 39% no gás. É inadmissível. Que contratos foram esses? Que acordos foram esses? Foram feitos pensando no Brasil? Não vou interferir. Mas podemos mudar essa política de preços lá — declarou.

O reajuste será repassado ao consumidor final, embora não na mesma proporção, segundo a associação que reúne as distribuidoras. O aumento não afeta o gás liquefeito de petróleo (GLP), o chamado gás de cozinha, que subiu 5% no sábado e já acumula alta de 22,7% em 2021, mas impacta o GNV e o gás encanado que chega às casas e às indústrias.

Insatisfeito com a política de preços dos combustíveis da estatal, que seguem as oscilações de câmbio e do preço internacional, Bolsonaro demitiu o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, em fevereiro.

O presidente da estatal vinha irritando Bolsonaro por conta do aumento dos combustíveis, especialmente o diesel. A situação se agravou depois que Castello Branco, em janeiro, ainda sob a pressão da ameaça de greve dos caminhoneiros, afirmou que a insatisfação da categoria é “um problema que não é da Petrobras”.

O general Joaquim Silva e Luna, que está há dois anos e três meses no comando da Itaipu Binacional, substituirá Castello Branco. Nesta quarta-feira, a cerimônia em Foz do Iguaçu que teve a presença de Bolsonaro foi realizada justamente para empossar o sucessor de Silva e Luna no cargo, o também general João Francisco Ferreira.

Jair Bolsonaro defendeu a previsibilidade na política de preços da Petrobras, mas não explicou como deve garanti-la.

— Mandei um projeto de lei para a Câmara há poucas semanas. (Queremos) cumprir uma emenda constitucional de 2001, onde fala do valor do ICMS em todo o Brasil. ICMS da gasolina, do álcool, do diesel, do gás. O que queremos é transparência. Vocês (consumidores) têm que saber quanto o governo federal arrecada de imposto em cada combustível e quanto os governadores arrecadam nos mesmos combustíveis. Isso é pedir muito?

— Não pode toda vez que sobe o preço do combustível, mais alguns centavos, e esses centavos serem multiplicados na ponta da linha pela voracidade da arrecadação de imposto. Não pode, toda vez que diminui o preço do combustível, na bomba não diminuir. Estou pedindo algo de anormal? Estou querendo interferir numa estatal ou estou querendo transparência dessa estatal? — acrescentou.

A assembleia de acionistas da Petrobras que deve confirmar novo presidente da estatal está marcada para segunda-feira. Existe uma expectativa no mercado sobre se o general vai mexer na política de preços para agradar Bolsonaro.

O Globo

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