COVID: Número de casos no RN aumenta, mas não reflete em óbitos e internações

COVID: Número de casos no RN aumenta, mas não reflete em óbitos e internações
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O Rio Grande do Norte está novamente registrando um crescimento do número de casos de covid-19. Na primeira semana de 2022, entre o dia 1 e 7 de janeiro, a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap/RN) contabilizou 710 casos notificados e confirmados a mais do que o mesmo período de dezembro cujo total foi 587. O acréscimo representa uma alta de 120,9%. Mesmo assim, o aumento de casos não se reflete nas internações e nem no número de óbitos.

O coordenador do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde do HUOL/UFRN e membro do comitê científico da Sesap/RN, Ricardo Valentim, destaca que a situação não representa gravidade, mas a necessidade de monitoramento para se analisar e aprofundar o que está ocorrendo e concluir se deve-se ao movimento de maior transmissibilidade, devido à chegada da variante Ômicron, ou ao represamento das informações provocadas pelo ataque hacker ao sistema do Ministério da Saúde no dia 10 de dezembro. “Primeiro que se trata de um fenômeno que ocorre em todo o país e era esperado, muito provavelmente pelo período e festas de final de ano. Outro ponto é que os números em si podem estar altos em virtude dos problemas que ocorreram na base de dados do Ministério da Saúde que foi invadido por hackers e que, em determinado período, ficou sem receber informações do país todo e agora é que estão migrando para o sistema do Ministério”, disse ele.

Os números que sustentam essa matéria são aqueles divulgados diariamente pela Sesap/RN. Esses boletins diários apontaram que nos primeiros sete dias de janeiro foram 1.297 novos casos confirmados, enquanto que em dezembro foram 587 no mesmo período. Até a noite de ontem, a plataforma Regula RN registrava uma média de 80 leitos críticos disponíveis, com 19 pessoas à espera; e de 80 leitos clínicos disponíveis, com 17 pacientes na fila. A ocupação dos leitos críticos estava em 23,24% e em 8,47% nos leitos clínicos.

“Esse aumento não está repercutindo nas internações. O número de pedidos para internar pacientes confirmados por covid-19 em dezembro era de 7 pacientes e continua com essa mesma média móvel diária. Isso diz muito sobre a situação atual da pandemia porque, se tivesse aumentado significativamente a transmissão e o cenário fosse grave, estaríamos vendo os reflexos nas internações e nos óbitos. Porém, precisamos estar em estado de monitoramento”, enfatizou o coordenador do LAIS.

Veja abaixo comparação entre os primeiros dias de dezembro/2021 e janeiro/2022

Dezembro/2021

1: 102 + 1 óbito
2: 107 + 2 óbitos
3: 133
4: 88
5: 26
6: 17 + 1 óbito
7: 114 + 1 óbito

Total: 587 casos e 5 mortes

Janeiro/2022

1:  113
2: 23
3: 35
4:  244 + 1 óbito
5: 245 + 2 óbitos
6: 316
7: 321

Total: 1.297 casos e 3 óbitos

Fonte: Sesap/RN

A necessidade das autoridades sanitárias, de saúde e a comunidade científica monitorarem se deve à expectativa do mundo estar enfrentando um novo vírus de transição, num processo de pandemia para endemia, segundo Valentim. “Precisamos ampliar a cobertura vacinal para melhorar o nível de segurança que é a vacinação com a terceira dose da população adulta e a de crianças de 5 a 11 anos e também chegarmos aí a 80% ou 85% da população de 12 a 17 totalmente vacinada”, sustentou o especialista.

Em paralelo ao avanço da covid, o surto de gripe também atinge o estado, assim como ocorre no restante do país. Apesar de também ser letal em algumas situações, Ricardo Valentim, pondera que, nesse caso, trata-se de um surto que tende a passar mais rápido. “O ponto importante é que tende a passar mais rápido. O que pode ter levado a esse surto é a baixa cobertura vacinal. O Brasil distribui poucas vacinas para gripe (80 milhões para público específico) e mesmo assim, muitos municípios não conseguem alcançar a meta prevista de 90% da população elegível. Outra hipótese é que a introdução da variante H3N2 não é coberta pelas vacinas no país. Por isso, por pelo menos em mais três semanas, esse surto deve continuar e não dá para comparar a gravidade com a covid porque as duas causam óbitos, principalmente na população idosa. O que não podermos é relaxar com as medidas de prevenção”, alertou.

Tribuna do Norte


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