Nova tecnologia na UFRN resulta em pesticida com menor toxicidade

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Um novo produto capaz de contribuir no controle de plantas daninhas e que, ao mesmo tempo, apresenta-se como uma alternativa ambiental para o descarte da glicerina gerada na produção do biodiesel é a nova tecnologia patenteada por cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O registro da propriedade intelectual foi concedido nesta última terça-feira, dia 14, e compreende um “sistema” formado pela mistura de soluções de água e glicerina como fase aquosa, óleo de coco ou óleo de pinho como fase oleosa e um tensoativo não iônico. Os quatro componentes formam, então, um herbicida, tipo de pesticida utilizado, por exemplo, na agricultura para o controle de ervas classificadas como daninhas.

“A aplicação da formulação objetiva mitigar os problemas ocasionados pelo surgimento de plantas daninhas e os inconvenientes no descarte do excesso de glicerina, sem a utilização de produtos tóxicos ao meio ambiente. Outra vantagem é que o processo de formulação do novo sistema microemulsionado desenvolvido requer um curto tempo de preparação e utiliza materiais de baixo custo”, explica a pesquisadora Tereza Neuma de Castro Dantas.

Os herbicidas possuem, entre outras vantagens, a rapidez de ação, custo reduzido, efeito residual e não revolvimento do solo. O grupo de inventores conta ainda com Afonso Avelino Dantas Neto e Igor Andrey Aires Soares e, segundo eles, o uso do produto patenteado é capaz de resolver uma série de problemas, tanto de ordem econômica, já que a glicerina utilizada na formulação do biodiesel deixa de ser um subproduto, como de ordem ambiental, uma vez que o mesmo consegue exercer função de controlar plantas indesejadas sem a necessidade de produtos tóxicos ao meio ambiente.

Os pesquisadores esclarecem que a metodologia para a Formulação da Microemulsão Herbicida a Base de Glicerina (denominação da concessão da patente) está concluída. “Inclusive, já foram realizados alguns experimentos em campo que demonstraram a eficiência do produto do controle de plantas indesejadas, tanto na pré-emergência como na pós-emergência”, ressalta Teresa Neuma. O desenvolvimento da invenção é fruto de pesquisa vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Petróleo (PPGCEP).

Os inventores acrescentam que o fato de ser atóxica, incolor e inodora, tem levado a glicerina, coproduto obtido no processo de produção do biodiesel a partir de óleos e gorduras, a conquistar um espaço especial nos assuntos sobre química verde, despertando o interesse de diversos setores industriais. Somado a esse contexto, há o aumento na produção do biodiesel, o que torna necessária a busca de alternativas viáveis para uma maior absorção da glicerina, situação que torna a produção do herbicida mais competitiva.

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