Breves considerações sobre a Reforma Trabalhista e a recuperação econômica

Breves considerações sobre a Reforma Trabalhista e a recuperação econômica
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Por Jorge Carlos Junior

Quando o ex-ministro da fazenda Henrique Meirelles e o ex-deputado potiguar Rogério Marinho lançaram com pompa a reforma das leis trabalhistas, tidas como ultrapassadas e que dificultavam a retomada do emprego no país, isso depois de experimentarmos o pleno emprego, eles não tinham, por certo, a menor noção do estrago e da regressão socioeconômica que impuseram ao país, que experimenta nos dias de hoje a maior taxa de desemprego em décadas, 27 milhões de brasileiros e brasileiras sem nenhuma ocupação. Estamos traçando o caminho contrário da China que faz de tudo para criar uma classe média no país e que já paga um salário hora maior que na Terra Brasillis.

Ora, não vou aqui defender idiossincrasias da CLT que deveriam ser modernizadas para a contemporaneidade e que a mesma não abrangia. O que impunha a muitos trabalhadores e trabalhadoras a ilegalidade, além da  falta de proteção.

No entanto, na prática o que ocorreu foi a legalização da precarização do trabalho, destruição de direitos consagrados no mundo inteiro, a diminuição do emprego e da renda da força de trabalho e a crise sem fim na economia brasileira.

A legalização da precarização do mundo do trabalho por quê transforma o trabalho, em uma commodity, a sua força de trabalho tem o valor de feijão, soja e minério de ferro. Transformaram o trabalhador em bicho. Impuseram a nós a lei da oferta e da procura, e nessa era de desemprego a força laboral vale pouquinho, quase nada. Eis que o governo tem a brilhante ideia de precarizar ainda mais, resolveu tirar a restituição da carteira assinada de trabalhadores domésticos no Imposto de Renda, outra paulada na moleira da cada vez menor, classe média.

Já diminuição do emprego, ocorre por dois motivos inerentes a economia brasileira, primeiro 87% da dinâmica do mercado interno é dada pelos consumidores e segundo, que com a renda deprimida e o achatamento de salários as famílias consomem menos e as empresas consequentemente vendem menos. O resumo da ópera é que, ao invés de gerar mais empregos, essa medida cria menos e destrói os já existentes, uma vez que atinge a demanda. E sem demanda há crise na oferta, criando assim um círculo vicioso e pernicioso que já jogou 100 milhões de compatriotas nossos pra sobreviver com míseros 413 reais. Em nossa urbe, 35% dos mossoroenses vivem com essa renda. Além de criminosas, essas  medidas draconianas que a prostração à mitologia neoliberal(desgraçada no mundo civilizado desde a crise dos subprimes de 2008) nos impõe é burra e pouco

civilizada.

Para piorar há um agravante no rebaixamento do rendimento médio (empobrecimento da força de trabalho) e na compressão do salário mínimo, a saber, o endividamento das famílias e das empresas. O que só piora com a pior taxa de investimentos do setor público em décadas. Ah, mas o Estado não tem que se envolver na economia, deixa a mão invisível agir, nos diria um incauto leitor. Diz isso pros americanos e demais economias de vanguarda. Afinal, não é função do Mercado pensar no longo prazo. Nele nós alocamos recursos escassos para para retorno ótimo e no curto prazo.

Precisamos entender, os motivos que leva a apatia econômica que experimentamos desde o desastre do ministro Joaquim Levy, à frente do Ministério da Fazenda, piorada com a amarra imposta ao crescimento nacional por 20 anos da Emenda 95.

Ao que parece a insistência das elites nacionais nesse modelo fracassado – leiam os papers do FMI, do BCE, The Economist – que não deu certo em lugar nenhum do mundo, vai fazer a retomada do crescimento tempestuosa e leeeeeeenta. Até essa gente entender que são os trabalhadores que movimentam a roda da economia, tempos difíceis nos esperam.

Com isso, não estou de forma alguma defendendo Estado balofo, descontrole das contas públicas ou deformações do Estado Brasileiro.

Ah, e uma dica, tenham cuidado com a exuberância das bolsas…


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